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sexta-feira, 19 de abril de 2013

#EuSouGay?


Você é gay? A pergunta é mais retórica que qualquer coisa, e faz parte de uma grande campanha na internet contra o preconceito no Brasil. Criado no início de abril, o projeto #EuSouGay se tornou sucesso instantâneo em um momento em que políticos como os deputados Jair Bolsonaro e Marco Feliciano dispararam declarações polêmicas sobre homossexuais e em que os casos de violência contra gays passaram a aparecer mais na mídia. 

O estopim para que se desse início ao projeto foi o assassinato, em Goiás, de uma adolescente de 16 anos morta pelo pai e pelo irmão de sua suposta namorada. Apesar disso, o #EuSouGay não se propõe a defender apenas homossexuais, mas pretende dar voz a todas as minorias que se sentem ou já se sentiram vítimas do preconceito algum dia.
“Eu sou gay, eu sou negro, eu sou nordestino, eu sou criança vulnerável, eu sou mulher vítima de violência doméstica, eu sou gordo, eu sou faminto, eu sou vítima do trânsito, eu não ando armado. Eu sou aquele que diz basta a essa falta de compaixão e de respeito ao próximo. Eu sou pela paz. Eu sou a favor de um mundo melhor. Este é o movimento que começamos agora. Eu, você, nós brasileiros que acreditamos na força da opinião pública e das redes sociais para combater a intolerância contra a diferença e contra as minorias”, diz um texto publicado no site do movimento. 

A resposta foi imediata: nos primeiros dias da campanha, ahashtag - como é chamado o símbolo #, usado na rede social Twitter para marcar uma palavra -, #EuSouGay viroutrending topic e centenas de fotos com pessoas segurando papéis escritos “#EuSouGay” foram enviadas para o projeto. As imagens virararam um vídeo, publicado nesta quarta-feira, 6 de julho, no Youtube. ÉPOCA conversou com Carolina Almeida, que está por trás da campanha, e se disse “atônita” com a proporção que tudo tomou. O resultado da campanha, em vídeo, você confere ao final da entrevista também.
ÉPOCA – Há um jeito de acabar com a homofobia no país? Ou melhor, com o ódio? 

Carolina Almeida
 - Sim, há. Trata-se de uma questão bem simples de educação. Educação em casa, na escola, no trabalho. Qualquer sociedade só cresce e aceita a respeitar suas diferenças (e o Brasil é exímio em combinar diferenças), com educação.

ÉPOCA - O que a motivou a iniciar o projeto? Teve alguma relação com as recentes declarações dos deputados federais Jair Bolsonaro e Marco Feliciano? 

Carolina -
 Como explico no texto, a gota d'água para que eu lançasse o projeto foi o assassinato da menina em Goiás citada no blog, mas aquilo foi o estopim de algo que vinha crescendo na minha cabeça há tempos e que foi se tornando mais intensa depois das declarações do deputado Jair Bolsonaro que agrediu, em rede nacional e ao mesmo tempo, mulheres, negros e gays. Sobre essas bancadas específicas no Congresso, não sei exatamente quais foram e quais são os projetos propositivos deles para com os brasileiros que os elegeram. Quanto às declarações dos dois deputados acima, minha opinião é uma só: nenhum homem público deveria impunemente incitar o ódio.


ÉPOCA - E como surgiu a ideia do #EuSouGay? 

Carolina -
 Como escrevi no texto original do blog, a ideia surgiu de uma sensação de mal-estar em relação a todo esse ódio que eu via sendo replicado em redes sociais, comentários de notícias e, claro, nas inúmeras reportagens sobre ataques a nordestinos, gays e, a mais comum no Brasil, mulheres. Com esperança de que eu não devia estar sozinha nesse sentimento de "alguma coisa está fora da ordem", tive essa ideia de assumir uma identidade bastante minoritária (a mais minoritária quando falamos em respaldo legal) para abraçar todas as outras pessoas que, de alguma forma, se sentem vítima dessa raiva que hoje, graças ao acesso fácil e rápido à informação, logo toma forma de discurso coletivo. E, para minha felicidade, eu realmente não estava só.


ÉPOCA - Quem você espera atingir com a mensagem? 

Carolina -
 Queremos atingir, como já estamos conseguindo, toda e qualquer pessoa que esteja predisposta a refletir sobre compaixão e respeito ao próximo.



ÉPOCA - E como foi a resposta dos internautas? 

Carolina -
 A resposta está sendo melhor do que a minha melhor expectativa. Além das imagens que estamos recebendo, chegaram ao e-mail do projeto várias mensagens de apoio e, mais surpreendente, depoimentos emocionantes e bastante pessoais de gente que sofre todo o dia com a homofobia em particular. Algumas terminaram usando nosso e-mail para escrever desabafos. Quanto às fotos, já estamos perto das 1000 fotos recebidas. Temos agora que fazer uma seleção bem criteriosa dessas imagens, pois, por exemplo, não podemos aceitar fotos com a hashtag inserida digitalmente, para não ocorrer casos de imagens fraudadas.


ÉPOCA - O projeto foi planejado? 

Carolina -
 Absolutamente nada disso foi pensado, quando publiquei o texto e o repassei para alguns amigos próximos, se tratava mesmo de um desabafo que eu queria compartilhar. A hashtag serviria para ver quem eu conseguiria atingir com aquele texto. O fato é que, de uma maneira muito rápida e surpreendente (pra mim pelo menos), essa hashtag logo tomou forma de trending topic no Twitter e fiquei simplesmente atônita.


ÉPOCA - No blog do projeto você fala que não se trata de ser gay ou não, mas de lutar pelos direitos de outros grupos que também sofrem preconceito, como negros e nordestinos. Isso foi resultado do tamanho que o projeto adquiriu nos últimos dias? Não, a ideia inicial era essa e agora, em função da hashtag, as pessoas estão achando que é um projeto somente contra a homofobia. Nasceu como uma afirmação contra qualquer tipo de intolerância, a favor da compaixão, e continuo pensando nela assim.


ÉPOCA - Quem quer contribuir deve fazer o quê? 

Carolina -
 A ideia é bem simples. As pessoas estão mandando fotos com um pedaço de papel ou escrevendo no corpo a hashtag #eusougay (na verdade, elas estão mandando fotos tão criativas que algumas nem consigo descrever). Essas fotos serão selecionadas para um videoclipe que será lançado em maio (as fotos podem ser enviadas até 1º de maio).
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