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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Desembargador evangélico é acusado de humilhar garçom

Alexandre Azevedo, o cliente que discutiu com o desembargador defendendo o garçom, afirma que vai ao CNJ para evitar retaliações. Desembargador do TJRN, Dilermando Motta nega abuso de autoridade.

Um desentendimento numa padaria de Natal, Rio Grande do Norte, entre o desembargador Dilermando Motta e um garçom, resultou numa confusão que envolveu a Polícia e a revolta popular.

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O desembargador Dilermando Motta (foto ao lado) é evangélico, e por algum motivo, teria destratado o garçom, o que despertou a ira de um segundo cliente da padaria, que aos berros, protestava contra a postura do desembargador.

Após uma troca de “gentilezas”, em que o cliente revoltado dizia que o desembargador não poderia humilhar o garçom, e o magistrado chamando-o de “cabra safado” e “endiabrado”, o próprio desembargador acionou o comando da Polícia Militar e uma viatura foi enviada ao local.

Na chegada dos PMs à padaria, os demais clientes não permitiram que os policiais levassem o rapaz que havia se indisposto com o desembargador, e outras três viaturas foram enviadas ao local. Protegido pelos demais clientes, o rapaz conseguiu sair da padaria, o que levou o desembargador a criticar de forma incisiva o trabalho dos policiais, dizendo que eles não haviam cumprido a sua missão e ainda tinham sido desacatados pelos clientes, e mesmo assim não tomaram atitude.

Após a confusão, Motta – que há 34 anos é desembargador e esse ano assume a presidência do Tribunal Regional Eleitoral – afirmou que apesar da grande proporção que a polêmica tomou nas redes sociais, irá procurar os meios legais para resolver a situação.

“Eu sou um servo de Deus, tenho 61 anos, sou honrado. Não sou julgador de mim mesmo, sou parte. Então quem vai falar sobre isso são os profissionais competentes”, disse o desembargador. “Eu vou completar 34 anos de magistratura e Deus tem me abençoado. Eu vivo da graça de Deus e do meu salário. Quando tenho qualquer dificuldade eu recorro ao Mestre, ao Senhor. É aos pés de Deus que eu recorro quando tenho qualquer dificuldade de ordem pessoal, familiar ou profissional”, resumiu.

Sem arrependimento, o empresário Alexandre Azevedo (foto ao lado), de 44 anos, afirma que vai "fazer valer o direito de cidadão" após a confusão na Open in new windowqual se envolveu com um desembargador em uma padaria de Natal no último domingo (3). Além do abuso de autoridade do magistrado, ele explica que a decisão de levar o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi tomada para evitar retaliações. "É um medo não só meu, mas de qualquer um que esteja em uma situação como a minha perante uma pessoa na posição dele", diz.

O empresário mostrou o rosto pela primeira vez nesta sexta-feira (3). Antes de se deixar fotografar, esclareceu que foi convencido pelos advogados de que não haveria problema em aparecer. Alexandre reafirmou o que havia dito em entrevista ao G1 de que não tem intenção de ganhar fama com o caso. "Não tenho intenção de ser celebridade, mas já que aconteceu vou fazer valer meu direito de cidadão", afirma o empresário, que se diz surpreso com a repercussão da confusão nas redes sociais e imprensa.

Sobre a confusão, Alexandre relata que os vídeos postados nas redes sociais podem passar uma falsa impressão do que aconteceu. "Como apareço gritando, parece que estou bem alterado e que o desembargador é quem foi agredido. A verdade é que ele estava sendo contido pois pegou uma cadeira ameaçando me agredir", conta. A discussão entre os dois, de acordo com o empresário, aconteceu depois que o magistrado não concordou com a relatiação sofrida após destratar o garçom.

"O desembargador estava em um canto com a família e eu com minha mulher em uma cadeira na parte central da padaria. Ele saiu do lugar dele e atravessou o estabelecimento para falar com o funcionário. Quando houve a ameaça de quebrar um copo na cabeça do garçom eu reagi. Tudo levava ao fato de que a agressão aconteceria", diz o empresário. Depois de iniciada a confusão, o desembargador teria ameaçado Alexandre de prisão. "Foram feitas ligações e quatro carros da Polícia Militar apareceram", acrescenta.

De acordo com o empresário, o tenente da PM que estava no local usou o bom senso. "A verdade é que o desembargador foi indelicado com os policiais e os chamou de bando de cagão. Conversei com o tenente também e o pedi bom senso", explica. Após a confusão, ele conta que todos os envolvidos foram liberados.
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